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Qualidade, conforto, segurança e atendimento diferenciado.
CONSULTA DE EXAME
Quem nunca passou por um dia difícil e sentiu uma vontade quase irresistível de comer algo bem específico, como um pedaço de bolo, um prato de macarrão ou um chocolate? Essa tendência tem um nome: comfort food, expressão em inglês que significa “comida de conforto”. Mais do que matar a fome, esses alimentos oferecem uma sensação de aconchego emocional, como um abraço em forma de sabor.
Mas por que isso acontece? Por que, diante do estresse, o cérebro pede justamente aqueles pratos que aquecem a alma? A resposta envolve uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e culturais que nos acompanham desde a infância.
O que é comfort food
Comfort food é um conceito que vai além do sabor. Trata-se de alimentos que despertam memórias afetivas e transmitem segurança, normalmente associados a momentos felizes, familiares ou de acolhimento. Para alguns, pode ser uma sopa quente, para outros, um doce da infância ou até um simples prato de arroz com feijão preparado por alguém querido.
Não existe uma lista universal de comfort food, porque ela é profundamente pessoal e cultural. O que conforta um brasileiro pode ser completamente diferente do que conforta um japonês ou um francês. O ponto em comum é que esses alimentos evocam emoções positivas e lembranças de proteção.
O papel do estresse no corpo
Para entender por que buscamos comfort food em momentos de estresse, é importante saber o que acontece no corpo quando estamos sob pressão.
Quando enfrentamos uma situação estressante — um problema no trabalho, uma briga familiar, uma preocupação financeira — o cérebro interpreta isso como uma ameaça. Em resposta, as glândulas suprarrenais liberam cortisol, conhecido como o “hormônio do estresse”.
Esse hormônio tem várias funções, entre elas:
Aumentar a energia disponível para lidar com o problema;
Elevar a glicose no sangue;
Estimular a busca por alimentos ricos em calorias.
Ou seja, biologicamente, o corpo entende que precisa de energia rápida para enfrentar a situação, e nada é mais eficiente para isso do que comidas ricas em açúcar e gordura — exatamente o que costumamos chamar de comfort food.
O cérebro e a recompensa
Além do cortisol, outro protagonista é o sistema de recompensa do cérebro. Quando comemos algo saboroso, especialmente alimentos ricos em carboidratos, açúcares e gorduras, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à sensação de recompensa.
Esse processo cria um ciclo:
O estresse gera desconforto emocional.
Comemos algo gostoso e calórico.
O cérebro libera dopamina, trazendo alívio e prazer temporário.
O corpo associa o alimento à redução do estresse, reforçando o comportamento.
Não é à toa que um pedaço de chocolate ou um prato de macarrão parecem “acalmar” quase instantaneamente.
Memória afetiva: o poder das lembranças
Se a biologia explica a busca por calorias, a psicologia explica a escolha do prato. Em situações de tensão, buscamos não apenas energia, mas também conforto emocional. É aí que entram as memórias.
Alimentos ligados à infância ou a momentos de carinho — como as receitas da avó, o bolo que a mãe fazia nos aniversários ou a comida típica da região onde crescemos — ativam memórias de segurança e amor.
Esses pratos funcionam como uma ponte emocional para tempos em que nos sentíamos protegidos, ajudando a reduzir a ansiedade e a sensação de ameaça.
Cultura e identidade
O que consideramos comfort food também está profundamente ligado à cultura.
No Brasil, pratos como arroz com feijão, canja de galinha, brigadeiro e pão de queijo costumam trazer lembranças de casa.
Nos Estados Unidos, é comum associar comfort food a mac and cheese, tortas de maçã ou frango frito.
No Japão, sopas quentes, como o misoshiru, cumprem esse papel.
Essas preferências refletem não apenas hábitos alimentares, mas também a forma como cada sociedade enxerga o aconchego e o cuidado.
Diferença entre fome física e fome emocional
É importante distinguir a fome física da fome emocional.
Fome física é uma necessidade real do corpo, que surge gradualmente e pode ser saciada com qualquer alimento nutritivo.
Fome emocional, por outro lado, aparece de repente, geralmente após um evento estressante, e costuma ser específica (“quero chocolate, e só ele resolve”).
Reconhecer essa diferença é essencial para evitar que o consumo frequente de comfort food se transforme em um hábito prejudicial, levando ao ganho de peso ou problemas de saúde.
Impacto no humor e na saúde
A comfort food oferece um alívio temporário, mas não resolve a causa do estresse. O consumo exagerado de alimentos ricos em açúcar e gordura pode resultar em:
Picos de glicose seguidos de quedas bruscas, que aumentam a sensação de cansaço e irritação;
Ganho de peso, elevando o risco de diabetes e doenças cardiovasculares;
Dependência emocional da comida como única estratégia de enfrentamento.
Por isso, é fundamental encontrar um equilíbrio: aproveitar o prazer da comida de conforto sem transformá-la em válvula de escape constante.
Estratégias para lidar com o estresse sem exageros
Buscar comfort food de vez em quando é natural e até saudável, pois faz parte do cuidado emocional. O problema surge quando ela se torna a única forma de lidar com a ansiedade. Algumas estratégias podem ajudar a manter o equilíbrio:
Praticar atividades físicas
Exercícios liberam endorfinas, hormônios que melhoram o humor e reduzem o estresse, diminuindo a necessidade de recorrer à comida.
Meditação e respiração consciente
Técnicas de mindfulness ajudam a reconhecer emoções sem julgamento, permitindo diferenciar a fome emocional da física.
Sono de qualidade
Dormir bem regula os hormônios da fome (grelina e leptina) e reduz os picos de cortisol.
Escolher comfort foods mais saudáveis
Preparar versões nutritivas dos pratos preferidos — como um bolo integral ou uma sopa rica em vegetais — permite aproveitar o conforto sem comprometer a saúde.
Criar rituais de autocuidado
Tomar um chá, ouvir música ou conversar com alguém de confiança são formas de trazer conforto que não envolvem comida.
Quando buscar ajuda profissional
Se a busca por comfort food se torna compulsiva ou começa a afetar a saúde física e emocional, é importante procurar apoio profissional.
Nutricionistas podem ajudar a criar estratégias para equilibrar a alimentação.
Psicólogos oferecem ferramentas para lidar com o estresse e as emoções de forma mais saudável.
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